A proposta da nossa agenda escolar de 2009, “Construtores da Paz”, desencadeou diversas atividades interessantes no nosso Colégio, em São Paulo.
Partilho com vocês uma delas: a “manhã de formação” que promovemos no dia 12 de fevereiro com os alunos dos 6ºs anos.
A agenda discute o tema a partir de atitudes que constroem um mundo pacífico e menos violento. Dentro da proposta, comprometemo-nos a aprofundar, de forma especial, a atitude de “indignação diante da injustiça”, que será abordada no mês de abril.
As turmas dos 6ºs anos, após refletirem sobre o significado das expressões “paz” e “violência”, perguntaram-se por que a violência existe e se ela é a única forma de resolvermos os nossos conflitos.
Todos receberam uma máquina fotográfica de papel para “tirar 2 fotos”: a primeira, de uma cena de violência que mais o incomoda ou amedronta; a segunda, uma cena de violência que passa despercebida pelas pessoas e que gostaríamos de que fosse notada.
O resultado foi bem interessante. Muitos desenhos e relatos ilustraram os principais medos dos adolescentes na nossa cidade ou os traumas vividos por eles e por suas famílias: seqüestros, assaltos, violência do trânsito, estupros, assassinatos etc.
As cenas de injustiça e violência que passam despercebidas pelas pessoas foram muitas, desde o sofrimento causado pela desigualdade social – fome, miséria, desemprego, falta de moradia etc. – até mesmo a violência dentro de casa, como crianças que agridem ou maltratam os pais.
Para ajudar no aprofundamento teórico, trabalhamos em grupos uma dinâmica chamada “Ouvi dizer que…”. Seis assuntos foram distribuídos e eles registraram tudo que conheciam sobre ele.
Preparamos, também, para essa faixa etária um “túnel da violência”, com recortes de notícias, frases e objetos. Os sons de gritarias, brigas, ambulância, polícia, entre outros, ajudaram muito na nossa vivência do tema, porque despertaram sentimentos e sensações, muitas vezes adormecidos devido às repetidas agressões à vida que presenciamos diariamente.
O texto bíblico que inspirou o nosso encontro foi o do cego Bartimeu (Marcos 10, 46-52): uma pessoa excluída, “à beira do caminho”, ignorada pela multidão. O olhar atento de Jesus, sensível ao sofrimento humano, é exatamente o que devemos recuperar para construir a paz. O desejo manifestado pelo cego – “Eu quero enxergar” – também é o nosso desejo: recuperar a capacidade de enxergar o outro e importar-se com ele.
Nossos alunos dos 6ºs anos já estão “entrelaçando os fios de idéias” para “confeccionar” o projeto de paz no retalho do tecido da nossa grande bandeira.
Queremos saber como estão as reflexões de vocês por todo o Brasil!
Um abraço
Luciana Gonçalves
Pastoral - CMISP
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